Quis aparecer
Mas esconderam-me num horizonte longínquo
(Até de mim próprio…)
Quis correr
Mas cortaram-me todas as metas,
Quis ver
Mas esconderam-me do mundo
O que mais desejava:
O vento, as flores, um Sol que me escaldasse a pele
E a fizesse morena como daquela menina
Que me acenava e ria quando me via.
Quis aparecer mas esconderam-se
Por detrás das nuvens,
Fugiram de mim
Como se os meus sonhos fossem uma doença
(imune até da morte!)
Ainda assim quis ver
O que tinham escondido do mundo,
Fui calcado pelos meus próprios passos,
Desmotivado pela minha própria força de vontade
Enquanto procurava o que sempre quis ver
E nunca me foi mostrado.
Foi então que percebi
Que nunca ninguém me tinha ocultado
As formas magnificas da Vida e da Natureza,
Simplesmente as minhas formas de as procurar
É que estavam erradas,
Olhei para as costas
E reparei que durante todo este tempo
Em que procurei algo que julgava terem-me escondido
Não tinha tido sequer a preocupação
De me descobrir -
Nas costas tinha um par de asas.
Por tentar procurar algo
Sem antes me encontrar,
Perdi-me. E não sabia utilizar as asas
Para me ajudarem a encontrarem um caminho…
Estava outra vez perdido.
Aprendida a lição voltei a olhar para trás
E vi um grupo de pessoas
A que decidi chamar amigos
E então aprendi a usar as asas…
Bati asas e voei mais alto que alguma vez imaginara
Senti o vento e voei com ele
Beijei as flores E descobri todas as meninas de pele morena…
[Por vezes procuramos um significado
Para a existência de algo que nos transcende
E esquecemos de nos procurar a nós próprios.
Porque a questão não reside se somos ou não
Capazes de ver, se queremos ou não ver,
Se nos cansamos de procurar…
A questão reside no que procuras,
O que procuras, e como procuras…
(eu ainda já encontrei…
Mas ainda não terminei a procura…)]
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