Heróis…
Dos que conheci ou os que se deixaram conhecer poucos foram capazes de reconhecer que alguma vez tenham errado, que tenham sofrido ou um motivo para ser considerado herói... Todos heróis, todos grandiosos, todos Titãs, todos semi-deuses de nascença.
Por vezes gostava de ouvir uma voz humana, de alguém que habitasse na Terra, que não fizesse do Cosmos sua morada; gostava de ouvir uma voz que confessasse não uma vitória mas uma cobardia, um pecado, alguém que fosse vil.
Por vezes pergunto-me se existirá alguém neste (vasto) mundo que alguma vez confesse ser “não-Ideal”? Alguém que não seja príncipe ou semi-deus mas gente? Será que serei o único desleal, pérfido, caluniador?
Podem até serem apenas dotados de inutilidade no seu estado mais puro, serem parasitas e até incapazes de pensar por vontade própria – mas ridículos nunca!
Então como é que eu, que tenho sido ridículo sem nunca ter parasitado, cobarde sem nunca ter desviado um soco que tomava a direcção do meu corpo e sonhador por ter procurado a verdade e o caminho da rectidão, como posso falar com os meus irmãos, campeões de todas as batalhas, sem nunca hesitar?
Como a minha voz não chega aos céus para que Eles me possam ouvir, vou escrevendo… E talvez um dia Eles me leiam e por sabedoria - divina ou não – se façam gente e aí lutem e se tornem verdadeiros heróis, heróis por mérito.
1 comentário:
Nenhum herói e imperfeito. Mas tu mais que ninguem sabes isso. Está muito bom o texto, continuação de bons textos.
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