Há sempre alguém para amar,
Para ser amado, desejar
Que esteja a nosso lado, abraçar
Quando nos sentimos sós ao luar
No céu, alguém que nos faça brilhar
Na noite, no seu olhar,
Um porto seguro, no mar
Bravio, sombrio, onde nos possamos refugiar.
Sozinho, lobo-do-mar,
Sou marinheiro da vida, procuro amar
Alguém que possa minhas velas içar
E me ajudar no mar da vida navegar;
Não por opção, por destino de amar
Navego sozinho, na vida e no mar
Feito de ventos fortes, dias a bolinar,
Meu navio, construí com fantasias que perdi, ao ancorar
No abismo, no imenso infinito onde haviam de dar lugar
A gordas lágrimas de áspera água e mistérios a assomar
No sorriso improvisado, contrabandeado, com que tento enganar
O reflexo, que outrora pensou conquistar
O céu do mundo, o sentido de tanto esperar
Para a busca do tesouro findar.
Não tenho vivido, tenho sobrevivido
Ao tempo, à saudade
Daquela que eu amo de verdade,
Que deixou o mundo e me deixou perdido,
Esquecido, nas correntes a navegar
Sem mapa nem destino para me guiar.