domingo, 23 de novembro de 2008

Isolar-se ou isolado? ... Eis a questão XP

Às vezes acontece… Procuramos algo ou alguém que seja capaz de satisfazer as necessidades que sentimos para “calar” as vozes que ecoam na nossa cabeça, procuramos uma razão de existência quer de nós próprios, quer dos que nos rodeiam.

Disfarçamo-nos de algo que não somos (e que ás vezes acreditamos ser) porque nos sentimos isolados, perdidos no meio deste espaço preenchido por homens e, no entanto, com intervalos infinitamente prorrogados entre cada um dos indivíduos, espaços esses que as pessoas tendem a chamar “Humanidade”.

No meio de tanto disfarce, incapacidade de carácter e isolamento infrutífero, há quem realmente seja dotado de uma índole que favoreça naturalmente a génese de alguém que por ser diferente dos demais, se refugie e crie um “novo mundo” à parte do chamado “mundo real”. Por oferecer resistência ao “mundo real” por vezes o “mundo” metafísico em que os dotados por natureza estão habituados a viver é abalado, estas reacções são precursoras de muitas “dores” e algum “alvoroço” que ocorra no interior de quem realmente se refugia no isolamento.

O isolamento não é procurado, o ser humano é um indivíduo social por natureza. O isolamento dos demais que coexistem com esse individuo é recíproco. Devido à não identificação dos ideais entre cada um o isolamento revela-se, não é procurado por ninguém, como referi anteriormente.

Ser isolado não é uma virtude ou defeito, é uma consequência de ser diferente.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Voar

Quis aparecer
Mas esconderam-me num horizonte longínquo
(Até de mim próprio…)
Quis correr
Mas cortaram-me todas as metas,
Quis ver
Mas esconderam-me do mundo
O que mais desejava:
O vento, as flores, um Sol que me escaldasse a pele
E a fizesse morena como daquela menina
Que me acenava e ria quando me via.

Quis aparecer mas esconderam-se
Por detrás das nuvens,
Fugiram de mim
Como se os meus sonhos fossem uma doença
(imune até da morte!)
Ainda assim quis ver
O que tinham escondido do mundo,
Fui calcado pelos meus próprios passos,
Desmotivado pela minha própria força de vontade
Enquanto procurava o que sempre quis ver
E nunca me foi mostrado.

Foi então que percebi
Que nunca ninguém me tinha ocultado
As formas magnificas da Vida e da Natureza,
Simplesmente as minhas formas de as procurar
É que estavam erradas,
Olhei para as costas
E reparei que durante todo este tempo
Em que procurei algo que julgava terem-me escondido
Não tinha tido sequer a preocupação
De me descobrir -
Nas costas tinha um par de asas.

Por tentar procurar algo
Sem antes me encontrar,
Perdi-me. E não sabia utilizar as asas
Para me ajudarem a encontrarem um caminho…
Estava outra vez perdido.

Aprendida a lição voltei a olhar para trás
E vi um grupo de pessoas
A que decidi chamar amigos
E então aprendi a usar as asas…
Bati asas e voei mais alto que alguma vez imaginara
Senti o vento e voei com ele
Beijei as flores E descobri todas as meninas de pele morena…

[Por vezes procuramos um significado
Para a existência de algo que nos transcende
E esquecemos de nos procurar a nós próprios.

Porque a questão não reside se somos ou não
Capazes de ver, se queremos ou não ver,
Se nos cansamos de procurar…
A questão reside no que procuras,
O que procuras, e como procuras…
(eu ainda já encontrei…
Mas ainda não terminei a procura…)]

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Momentos

Sozinho, no escuro, eu não sou eu, sou mais eu.

Sinto a minha respiração difundir-se na atmosfera circundante do ar do meu quarto. Meu olhar passa pela vida do mundo exterior, miro o horizonte, muito além da janela que me separa da sociedade, muito além dos ruídos poluentes citadinos.

Caminho em direcção ao parapeito e provo a penosa frieza da ténue vidraça da janela que me separa do “exterior” interior com a pele do meu rosto.

Como se estivesse vivo, choro com o coração a felicidade de cada transeunte que passeia na rua, envolto em seus pensamentos.

Os seus sorrisos rasgam cada célula das minhas entranhas, dilaceram cada bom pensamento que me ilumina e me ausenta da estranha realidade que me assola o corpo e alma.

As sensações e as emoções alimentam-se de mim como uma fera que me parasita até à desistência da minha existência. Por vezes fujo, escondo-me dentro de mim – não como quem se refugia dentro de si mesmo mas como quem foge do próprio refugio para se refugiar; crio-me e destruo-me se necessário, sou uma Fénix presa numa jaula de carne e osso. Não me resta mais nada que palavras, palavras… nada me foi deixado de herança a não ser… palavras... coisas que nem pel’ A Natureza foram criadas …

[E por isso continuo a carecer deste cárcere de ossos inútil, porque sou humano sem o ser, sinto sem sentir… existo duvidando da minha existência e dando-lhe novas existências]

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Imperfect Hero

Heróis…

Dos que conheci ou os que se deixaram conhecer poucos foram capazes de reconhecer que alguma vez tenham errado, que tenham sofrido ou um motivo para ser considerado herói... Todos heróis, todos grandiosos, todos Titãs, todos semi-deuses de nascença.

Por vezes gostava de ouvir uma voz humana, de alguém que habitasse na Terra, que não fizesse do Cosmos sua morada; gostava de ouvir uma voz que confessasse não uma vitória mas uma cobardia, um pecado, alguém que fosse vil.

Por vezes pergunto-me se existirá alguém neste (vasto) mundo que alguma vez confesse ser “não-Ideal”? Alguém que não seja príncipe ou semi-deus mas gente? Será que serei o único desleal, pérfido, caluniador?

Podem até serem apenas dotados de inutilidade no seu estado mais puro, serem parasitas e até incapazes de pensar por vontade própria – mas ridículos nunca!

Então como é que eu, que tenho sido ridículo sem nunca ter parasitado, cobarde sem nunca ter desviado um soco que tomava a direcção do meu corpo e sonhador por ter procurado a verdade e o caminho da rectidão, como posso falar com os meus irmãos, campeões de todas as batalhas, sem nunca hesitar?

Como a minha voz não chega aos céus para que Eles me possam ouvir, vou escrevendo… E talvez um dia Eles me leiam e por sabedoria - divina ou não – se façam gente e aí lutem e se tornem verdadeiros heróis, heróis por mérito.