Sozinho, no escuro, eu não sou eu, sou mais eu.
Sinto a minha respiração difundir-se na atmosfera circundante do ar do meu quarto. Meu olhar passa pela vida do mundo exterior, miro o horizonte, muito além da janela que me separa da sociedade, muito além dos ruídos poluentes citadinos.
Caminho em direcção ao parapeito e provo a penosa frieza da ténue vidraça da janela que me separa do “exterior” interior com a pele do meu rosto.
Como se estivesse vivo, choro com o coração a felicidade de cada transeunte que passeia na rua, envolto em seus pensamentos.
Os seus sorrisos rasgam cada célula das minhas entranhas, dilaceram cada bom pensamento que me ilumina e me ausenta da estranha realidade que me assola o corpo e alma.
As sensações e as emoções alimentam-se de mim como uma fera que me parasita até à desistência da minha existência. Por vezes fujo, escondo-me dentro de mim – não como quem se refugia dentro de si mesmo mas como quem foge do próprio refugio para se refugiar; crio-me e destruo-me se necessário, sou uma Fénix presa numa jaula de carne e osso. Não me resta mais nada que palavras, palavras… nada me foi deixado de herança a não ser… palavras... coisas que nem pel’ A Natureza foram criadas …
[E por isso continuo a carecer deste cárcere de ossos inútil, porque sou humano sem o ser, sinto sem sentir… existo duvidando da minha existência e dando-lhe novas existências]
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